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Construtores de cerritos na Laguna Dos Patos, Pontal da Barra, sul do Brasil: lugar persistente, território e ambiente construído no Holoceno recente

Published online by Cambridge University Press:  27 March 2019

Rafael Guedes Milheira*
Affiliation:
Departamento de Antropologia e Arqueologia e Programa de Pós-graduação em Antropologia da Universidade Federal de Pelotas. Laboratório de Ensino e Pesquisa em Antropologia e Arqueologia (LEPAARQ/UFPel), Pelotas, RS, Brasil
Tiago Attorre
Affiliation:
PhD Candidate - Archaeology; College of Humanities, Arts and Social Sciences; Flinders University Grantee of the Brazilian Federal Agency - CAPES, Brazil (attorre@gmail.com)
Caroline Borges
Affiliation:
Programa de Pós-graduação em Antropologia da Universidade Federal de Pelotas. Laboratório de Ensino e Pesquisa em Antropologia e Arqueologia (LEPAARQ/UFPel), Pelotas, RS, Brasil (arqueocarol@gmail.com)
*
(milheirarafael@gmail.com, autor para contato)
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Abstract

Este artigo apresenta um processo de ocupação de grupos construtores de cerritos no sítio arqueológico Pontal da Barra, localizado no estuário da Laguna dos Patos, sul do Brasil. Ocupado entre 2500 e 1800 anos aP como área de acampamentos e, posteriormente, entre 1800 e 1200 anos aP como área de ocupação permanente, o Pontal da Barra foi abandonado por volta de 1000 anos aP. Esse processo é evidenciado arqueologicamente pela complexificação de estruturas arquitetônicas monticulares e suas áreas adjacentes, pelo manejo de sedimento interno nos montículos, além dos aspectos multifuncionais e monumentais dos aterros. Como parte de um território regional, o banhado do Pontal da Barra se tornou um espaço significativo no domínio espacial dos grupos cerriteiros. O sítio foi sistematicamente ocupado ao longo de 1.500 anos, compondo uma comunidade de pescadores, agentes de uma história indígena de longa duração.

In this paper we present the occupational history of the Pontal da Barra site, located within the estuary of the Patos lagoon in southern Brazil. The Pontal da Barra was occupied by a community of fishermen and earthen mound builders (Cerritos de Indios). From 2500 to 1800 BP the site was a temporary camp, became a permanent settlement between 1800 and 1200 BP, and was ultimately abandoned around 1000 BP. The occupational history is archaeologically visible in the increased architectural complexity of the mound structures and its surrounding areas, the management of soil within the mounds, and the multifunctional aspects of the monumental mounds. As part of a regional territory, the wetland of the Pontal da Barra became a meaningful place within the spatial domain of the mound builders. The site was systemically occupied for 1,500 years by agents of a long-term indigenous history.

Information

Type
Article
Copyright
Copyright © 2019 by the Society for American Archaeology 
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Figura 1. Localização geográfica dos cerritos: (a) Localização do Pontal da Barra no bioma Pampa; (b) Localização dos sítios do Pontal da Barra, Lagoa do Fragata e Cerrito da Sotéia e demais cerritos mapeados na bacia hidrográfica Patos-Mirim; e (c) Localização dos cerritos do Pontal da Barra, com destaque para os cerritos datados. Elaborado por: Rafael Milheira. Produtos elaborados com software QGIS versão Las Palmas 2.18.15.

Figure 1

Tabela 1. Datações dos cerritos do Pontal da Barra.

Figure 2

Figura 2. Perfis arqueológicos dos cerritos estudados: (a) Perfil oeste do cerrito PSG-07, quadras 1000N/1000E, 1001N/1000E com indicação de estruturas de combustão na base do montículo; (b) Escavação do nível 18 (90 cm de profundidade) do cerrito PSG-07, quadras 1001N/1000E, 1002N/1000E, com indicação de estruturas de combustão na base do montículo e a camada basal de ocupação anterior à construção do cerrito; (c) Estrutura de combustão evidente no perfil sul do cerrito PSG-01; (d) Estrutura de combustão no perfil sul da quadra 1000N/1000E do cerrito PSG-06; e (e) Estruturas de combustão no perfil norte das quadras 1000N/999E e 1000N/1000E do cerrito PSG-02. Fotos: Rafael Milheira.

Figure 3

Figura 3. Topografia em 2D e perfil topográfico do conjunto de cerritos PSG-02, PSG-05, PSG-06 e PSG-07, indicando as áreas de empréstimo, o microrrelevo e as quadras de escavação dos cerritos, com destaque para a escavação da paleodrenagem (quadra em preto) adjacente ao cerrito PSG-06. Elaboração: Cleiton Silveira.

Figure 4

Figura 4. Feição em V indicativa da feição em subsolo ao sul do cerrito PSG-06 e Imagem de Satélite com indicação de ocorrência da feição em subsolo ao sul do cerrito PSG-06. Elaboração: Tiago Attorre. Base: Google Earth, 2012.

Figure 5

Figura 5. Variabilidade de formas das vasilhas cerâmicas e exemplos de conjuntos cerâmicos identificados. Adaptado de Ribeiro (2016).

Figure 6

Figura 6. Modelo Digital de Elevação do Pontal da Barra com a locação dos sítios (pontos pretos) conforme a quota aproximada do nível marinho: (a) Aproximadamente 2500 anos aP. Nível marinho acerca de 1 m acima do atual; (b) Aproximadamente 1500 anos aP. Nível marinho acerca de 50 cm acima do atual. Modelos elaborados por: Suzana Munsberg; e (c) Curva eustática indicando os níveis marinhos referentes aos momentos de ocupação no Pontal da Barra. Adaptado de Angulo e outros (2006:500).

Figure 7

Figura 7. Mandíbula humana associada a pingente feito em dente de golfinho (Delphinus delphis) no contexto dos níveis 1 e 2 da quadra 1000N/1000L. Desenho da mandíbula, croqui das quadras e foto de contexto por Rafael Milheira. Foto do pingente retirado de Ulguim e Milheira (2017).

Figure 8

Figura 8. Materiais humanos com quebras naturais e bordas polidas do cerrito PSG-02: Fragmentos de calota craniana: 111.8.1353, 111.8.1147, 111.8.1483; Fragmentos complementares de diáfise de tíbia esquerda: 111.7.1555 e 111.7.1558; Fragmento de diáfise de úmero esquerdo 117.7.796. Escala em centímetros. Fotos: Caroline Borges.

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